Empresas ESG : O que você precisa saber

 


O termo ESG tem sido usado para se referir a práticas organizacionais e de investimento que se preocupam com critérios de sustentabilidade – e não apenas com o lucro.

ESG é a sigla em inglês para “environmental, social and governance” (ambiental, social e governança, em português),  usada para medir as práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização.

A LETRA E

Iniciando a sigla, a letra “E” refere-se à preservação do planeta. Traduzindo isso em termos de certificação, a organização precisa ter foco e iniciativas para proteger os recursos naturais. Isso é conseguido reduzindo a emissão de poluentes e diminuindo o consumo dos próprios recursos, impactando positivamente no meio ambiente.

Essas iniciativas devem necessariamente, possuir uma gestão ligada a números e resultados, demonstrando claramente o atendimento a todos os requisitos ligados à questão ambiental, e também tendo ciência da sua performance ambiental.

A LETRA S

 A letra “S”, refere-se ao engajamento social. Este é um setor que por si só está em alta, pois impacta diretamente na qualidade de vida de curto prazo de todas as pessoas ligadas a organização em questão.

Essa questão do engajamento social, vai muito mais além do que simples políticas de atendimento aos requisitos legais dos diversos países, mais até do que o atendimento mínimo as recomendações da OIT.

É necessário ter políticas de diversidade para contratações, para a diminuição da desigualdade na sociedade ao entorno, e até trabalhos em projetos sociais que transpõem as fronteiras dos limites da organização.

A LETRA G

A letra “G” refere-se a retidão em relação aos processos corporativos. Nos últimos anos, desde a crise iniciada nos Estados Unidos, com o escândalo envolvendo a AIG em 2009
 (https://www.bbc.com/portuguese/lg/noticias/2009/03/090323_aig_bonus_cq) este assunto tomou uma proporção bastante importante na decisão de negócios no mundo corporativo, e até mesmo por parte dos consumidores finais mais atentos. Isto sem falar nas decisões de investimento do mercado financeiro.

Garantir a independência de um conselho de administração, criar, executar e controlar políticas anticorrupção, políticas internas de delação, políticas antidiscriminação e assédio, são o ponto inicial para ações ligadas à governança.

 

De fato, estamos testemunhando o maior nível de procura sobre esses assuntos dos últimos anos, conforme o Google Trends. Especificamente no caso da ESG, até o momento da edição deste texto, 2021 já supera 14 vezes o nível de procura visto em 2019.

O que se pode concluir disso é que existe um movimento muito forte, na direção desses conceitos e dessa clareza de governança por parte das organizações.

Mas afinal, quem está impulsionando tudo isto?

A resposta mais completa é também é mais direta: são os investidores.

Investir sempre tem riscos envolvidos. Investir em uma organização que se preocupa com todas as faces destes riscos, como, por exemplo a governança, traz uma segurança ao investidor que é justamente o que ele procura nesse momento que estamos vivendo.

Um grande sinal de que essa iniciativa veio para ficar, é que a grande fonte de informação que a sociedade possui hoje sobre essas iniciativas é alavancada por organizações de investimento, ligadas ao mercado financeiro. Traduzindo em miúdos, organizações que estão intimamente ligadas com as tendências de investimento.

Outra informação importante e que explica a aceleração deste movimento, é que a iniciativa ESG não é nova.  

O que estamos testemunhando hoje é uma evolução de um conceito que nasceu em 2005, em uma conferência chamada “Who Cares Wins”, que acabou por se tornar um relatório, a pedido da organização das Nações Unidas, cujo foco era incorporar esses princípios nas análises de investimento pelo mundo.

O que fazer para ser uma organização ESG?
Independente do porte da organização, os princípios previstos pela ESG, podem ser aplicados, demandando de um trabalho mais inteligente do que oneroso.  Se considerarmos as organizações com certificações como a ISO 14001, ou a própria ISO 45001, já temos um bom caminho andado.

De forma genérica o que se espera da organização ESG é:

ambiental (E):

·         Uso racional dos recursos naturais
·         Iniciativas de preservação da biodiversidade
·         Programa de redução de emissões
·         Gestão de desperdícios
·         Estudos para plena eficiência energética
·         Tratamento de resíduos

social (S):

·         Melhoria das condições e as relações de trabalho
·         Políticas de inclusão e diversidade dentro e fora da organização
·         Treinamento  e valoração adequada para os funcionários
·         Respeito aos direitos humanos
·         Privacidade e segurança de dados de funcionários, clientes e parceiros
·         impactar positivamente na comunidade ao entorno

governança (G):

·         Conselho de administração independente e ativo
·         Diversidade na escolha dos membros do conselho
·         Remuneração justa e racional, de todos os colaboradores
·         condutas éticas e anticorrupção nos negócios (políticas definidas)
·         Zelar e valorizar a transparência fiscal
·         Prevenir, conscientizar e reagir à casos de assédio, discriminação ou preconceito
 

Certificações

Existem diversas iniciativas de certificação para os princípios ESG. Embora a implantação desses conceitos, referem-se primeiramente a um compromisso público, por conseguinte transparente, várias entidades ligadas a certificação de terceira parte, movimentam-se para dar maior credibilidade a estes programas ESG.

Existem algumas certificadoras no Brasil, que utilizam certificações individuais, especificas para os 3 pilares que citamos anteriormente da ESG, para emitir estas certificações ou declarações de conformidade, como, por exemplo, a SGS.

Outro modelo, é de uma certificação específica, como o caso da IASE, que prevê todo um programa específico, modulado em níveis de proficiência e divididos entre a iniciativa financeira e outras áreas profissionais.

 

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