A difícil Arte da Confiança



                                                                                                       por Adson Naccarati

 

Nos deparamos com situações de confiança praticamente todos os dias. Nas relações pessoais, nas contratações, nas atividades de compra e venda, enfim, todas as atividades humanas, onde existe a interação de pessoas,  confiança é uma variável que define estas próprias relações.

O conceito de confiança, inclui em seu bojo, uma relação intrínseca de duas partes: quem precisa desta confiança, e quem precisa confiar.

É claro que o nível de confiança envolvido em qualquer relação, é tão mais difícil quanto mais crítico é o assunto. Invariavelmente, assuntos rotineiros e pouco importantes, podem ser realizados com pouca relação de confiança.

Em contrapartida, nos assuntos muito importantes, a relação de confiança é levada ao limite.

Falar sobre confiança, é um assunto extenso, envolve facetas de personalidade e experiências de vida.

Vamos nos ater aqui, a definir e dar algumas orientações sobre o tratamento da confiança no âmbito profissional, embora o conceito seja universal.

É fundamental para a carreira de qualquer profissional, ser considerado confiável. De modo semelhante, é fundamental para o sucesso de qualquer organização, ser considerada por colaboradores e parceiros diversos, confiável.

Normalmente para isso, procuramos intuitivamente conhecer uma “história de vida”, o famoso CV do profissional, ou o próprio cadastro da organização, em busca de informações do passado e do presente, que possam nos orientar em decidir se podemos ou não, confiar neste parceiro.

Mas o que estamos realmente procurando?
Como trabalhar nossa imagem de confiança?

Trabalhar para ser confiável, é a princípio, deixar transparente dois grandes parâmetros.

No âmbito profissional, podemos definir a confiança em cima de duas vertentes altamente poderosas. Todo o resto são derivações dessas duas vertentes, ou valores se você assim preferir.

A primeira parte da confiança é saber onde o “coração” daquela pessoa ou a “cultura” daquela organização em questão está. Já a segunda parte, é saber se aquele profissional ou aquela organização tem capacidade de realizar aquilo que pretende.

Resumindo: intenção e capacidade.

Antes de falarmos sobre cada uma das partes, vamos a um exemplo?

Se você precisar de uma intervenção cirúrgica, acredito que você teria problemas em confiar em um médico, que se demonstra preocupado, atencioso e honesto, mas que apresenta alguns problemas de conhecimento, como por exemplo, ser recém-formado.

Por outro lado, neste mesmo caso da intervenção cirúrgica, você também teria problemas em confiar em outro médico, com a parede forrada de diplomas, mas que aparentemente não te dá nenhum valor, te atende mal, e parece que só está preocupado com o cheque no final do procedimento.

Então, para que você possa ser uma pessoa confiável, ou tornar sua organização confiável, basicamente, você deve se preocupar com essas duas faces da mesma moeda. Na verdade, aquela pesquisa no CV ou no cadastro, busca sempre estas duas coisas.

Um erro que no passado era muito comum nas organizações, nos processos de contratação ou promoção, era considerar apenas a parte técnica do profissional. Frases como : “não dá pra confiar muito nele, mas ele sabe o que faz” já está fora do contexto. Hoje, e cada vez mais, as organizações procuram pessoas que possam agir sem supervisão.

Todo o controle é muito caro, e os clientes não querem mais pagar por isso. Então, além de ser um bom técnico, o profissional hoje deve ser plenamente confiável, incluindo seus valores e a sua postura ética.

Pense na dificuldade de levantar informações deste tipo. Levantar as características técnicas é muito mais simples. Achar um engenheiro, um advogado, ou  que profissão for, com vasta experiência, graduações etc. é muito mais fácil do que saber se esse engenheiro, ou advogado, ou que indivíduo for, irá agregar positivamente na nossa equipe ou não.

De forma análoga, levantar informações sobre o cadastro de uma empresa, sobre sua experiência também é muito mais simples, do que ter certeza completa que será um parceiro de valor e poderá em algum momento, focar plenamente no cliente.

Um turn over alto no RH ou uma constante troca de fornecedores, cria um passivo de custo para os processos de seleção e recrutamento, e também para os processos de desenvolvimento de fornecedores a níveis, muitas vezes, impraticáveis.

E tudo isso pode ser evitado entendendo o conceito de confiança e aplicando de forma simples.

Procurar os valores, a cultura ou posicionamento de alguém ou de alguma empresa é um processo que requer, além da simples pesquisa e interpretação de um histórico, uma dose de sensibilidade.

Fazemos este tipo de avaliação, naturalmente, desde nosso nascimento. É uma característica evolucionária, ligada a natureza social do ser humano.

Nascemos frágeis e totalmente dependentes, confiando em tudo a nossa volta. A desconfiança é um processo do crescimento e convívio social. Por esta razão, treinamos a vida toda para saber com quem lidamos.

A única coisa que nós precisamos na verdade, e levar em consideração esta nossa sensibilidade.

Para isso, uma boa entrevista com um candidato, ou com um representante de vendas de um possível parceiro comercial, pode dar uma ideia muito boa e completa de quem está sentado na nossa frente.

E isso tem que ser considerado, tanto quanto capacidade técnica.

Cada vez mais, procuramos diminuir a frequência com que trocamos as pessoas em quem confiamos. Aparentemente, o transtorno dessa troca é o motivo mais plausível. Só que não é o único. O motivo mais forte, é que antes da conclusão de que temos que trocar, veio uma experiência ruim muito mais longa.

Isto talvez pudesse ter sido evitado, se lá atrás, tivéssemos considerado as duas vertentes que falamos no início deste texto.

Talvez se tivéssemos considerado nossa avaliação dos valores e intenções.

Se na escolha de colaboradores para a sua organização ou empresas parceiras, o trabalho é feito apenas sobre dados e papéis, sugiro que você reveja este conceito.  Este será um caminho seguro para confiar.

Sucesso.

 

 


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